
Semana Masculina de Moda de Paris
Nos desfiles masculinos de Paris os tons escuros e de um ar quase agressivo continuam valendo.
Textos e Fotos: Karlos Ferrera
Jean Paul Gaultier - O estilista com toda a certeza foi o porta-voz das novas mudanças que ocorrem no mundo e buscou olhar para a cultura Afro-Americana. Um desfile prazeroso com referência punk e mod. A alfaiataria veio garbosa em risca-de-giz e sutis xadrezes. Sobretudo amplo com lapelas de couro ou tecido grosso com correntes no lugar de botões pontuaram a coleção. Todos os trench coats eram vestidos com cintos e as calças de terno eram adornadas com chicotes de açoite. Não posso esquecer-me das perucas Afro, que deram todo o toque a coleção, tweed preto com inserções de couro e do look vermelho- o must da coleção.
Dior Homme - A angularidade foi o conceito do New Wave, movimento dos anos 80 que norteou a coleção da marca. Essa referência apareceu em camisetas mais longas, estampadas com frases em letras enormes e, claro, nos recortes angulares presentes em diferentes peças. Aliados a tudo isso, os ternos pretos ajustados que são a marca da Dior Homme. As calças skinny dividiram espaço na passarela com calças bem largas, com um volume maior na região dos quadris e ajustadas ao tornozelo. Jaquetas com lapelas assimétricas em grandes proporções, com formas pontiagudas tiveram destaque. A Dior é mística, mas não se esqueceu de mostrar o seu lado infantil e brincou a vontade com sobreposições, t-shirt mais longas, frases em letras enormes e com o branco.
Yves Saint Laurent - Dizendo que iria romper com a alfaiataria familiar sem perder o apelo clássico, Stefano Pilati para a coleção masculina da marca trouxe um excesso de informações. Então, casacos de alfaiataria foram combinados com calças no comprimento do tornozelo vestidas sobre leggings de seda – uma combinação que pode não ser a preferida de todo mundo. Havia outras opções de alfaiataria, incluindo calças com estranhas pregas piramidais. Muito da energia de Pilati foi concentrada nos detalhes, do casaco de falso crocodilo às finas nervuras na jaqueta de couro. Pela atual crise que vivemos, mostrar opulência se tornou imprópria, a coleção não teve vibração positiva.
Hermés - Para o inverno, o estilista da marca Veronique Nichanian produziu uma coleção clássica com tudo o que é suficiente para elevar os homens que veste a grife a se destacar na multidão com lindos toques de amarelo ácido e contrastes de vermelho por meio de calças de gabardine pregueado ou suéteres de tricô. Casacos super esportivos em náilon, alfaiataria clássica em tons sóbrios, como preto, marinho e cinza, calças de flanela ajustadinhas, e tons em verdes escuros resumem a coleção discreta, porém inovadora da marcas top francesas quando o assunto é luxo.
Givenchy - Tendo como inspiração temas náuticos com uma leve propensão para o gótico e para a escravidão, Riccardo Tisci retomou a discussão iniciado em coleções anteriores, e propôs sobreposições para este inverno com leggings de couro, botas de cano alto, shorts, capas tipo marinheiro, casacos com detalhes em couro ao longo das mangas ou torço, além de pulôveres com belos capuzes, jaquetas lustrosas e camisetas estampadas, que em minha opinião não foram bem apresentadas para uma marca francesa de nome.
Também não faltaram momentos teatrais, lantejoulas e glitter na coleção. Espero que Riccardo encontre o seu caminho na linha masculina da Givenchy.
Louis Vuitton - A marca fez uma viajem ao safári para criar sua coleção de inverno e trouxe de lá jaquetas militares em couro de antílope ou jacaré. As estampas da flora e fauna vieram sutis em jaquetas formais de cetim, combinadas com calças plissadas na frente, com efeito drapeado.
Um casaco de cashmere azul ardósia era elegantemente marcado por um cinto na cintura, enquanto uma jaqueta de veludo com abotoadura dupla era vestida com um lindo tênis vermelho, criados pó Kanye West. Gorros, cachecóis e chapéus de tricô acrescentaram um ar esportivo a muitos looks. Mas nenhum safári europeu está completo sem a bagagem e gorro. Então se viu muitas malas e gorros. Peças em azul e cinza com toques de vermelho criou looks extremamente refinados. Para prender a atenção vimos muito zíper e cachecóis. Propostas perfeitas para homens que desejam sentir-se à vontade em qualquer lugar.
Rick Owens - Em uma das melhores apresentações a marca conseguiu pegar toda essa estética sóbria, escura, quase agressiva e dar a ela um certo romantismo – bem ao seu jeito. Peças de aspecto bem pesado como as botas em couro de cano alto, casacos pesados em lã ou couro, vinham combinados com peças mais delicadas em algodão bem fino ou numa lã mais leve, sempre desestruturada.
Ralf Simons – Também tendo como foco principal a alfaiataria, a grife mostrou através de uma silhueta mais próxima ao corpo, bem seca, mas não tão skinny como antes. As formas são bem enrijecidas, dando estrutura às jaquetas, que ficam bem moldadas ao corpo.
Isso tudo é quebrado por formas arredondadas nos ombros – que ainda bem moldadas e estruturadas – em boleros de neoprene.
Paul Smith – Outra ótima coleção no estilo “geek chic”, só que agora com um olhar na Índia e sua cultura de colônia. Uma coleção que fez bom uso do tweed, xadrez sintéticos e tecidos reciclados, dando novo olhar a velhos temas. O outerwear surge com um sabor 70´s rock, que dá gosto, já que estamos diante de um nome que se expande nessa temporada.
Lanvin – Lucas Ossendrijver também explorou muito bem a alfaiataria, sempre atento aos detalhes. O estilista consegue atingir uma certa suavidade em looks bem confortáveis, de silhueta solta em tecidos desestruturados e leves. A calça chega mais volumosa, com blazer mais ajustado.
Hugo by Hugo Boss - O belga Bruno Prieters misturou um “q” de futurismo tecnológico do século XVI, com a cena e escolas artísticas da Alemanha nos anos 30. O resultado foi uma imagem consideravelmente forte, com ternos de corte extremamente preciso e geométrico e modelagem mais ajustada ao corpo. As calças skinny vinham com ternos de proporções reduzidas, tanto no comprimento como na modelagem em geral, acinturando levemente, com mangas mais estreitas, e lapelas bem fininhas, as vezes até sem a parte de cima.
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