A nova imagem do homem, segundo Milão
Os destaques apresentados pelos estilistas para o inverno 2010 na Semana de Moda Masculina de Milão
foi uma silhueta econômica com influência dos anos 30 e 40.
Texto e Fotos: Karlos Ferrera
O evento este ano foi concentrado em apenas quatro dias, pois o objetivo era permitir que os jornalistas pudessem voar para Paris a tempo. Com a participação de cerca de trinta e oito importantes etiquetas, o evento mostrou que o inverno 2009 para os homens será clássico e elegante. Mostrou também um homem de negócios que cuida de si mesmo e do seu olhar. Este novo homem está profundamente ligado à natureza e à tradição e ao seu objetivo principal, que é a recuperação de antigas tradições e os ideais clássicos, sem esquecer que ele também está de olho no futuro e que precisa adaptar essas antigas tradições aos tempos atuais.
O homem apresentado aqui em Milão é auto-suficiente e independente, e sabe quem ele é e o que ele está procurando. Ele é dinâmico e moderno, mas mantém sempre com naturalidade um toque de elegância e charme. Alguns elementos importantes do clássico estilo formal, como o empate (muito fino e amarrado ao redor do pescoço) ou o Gilet são agora reintroduzida e revisitado em uma chave mais moderna e desgastados com aparência tanto casuais e mais elegantes. Os tecidos mostrados aqui são macio e quente, que é a razão pela qual a maioria dos criadores optou: lã e caxemira. Calças skinny e às vezes com o comprimento até o tornozelo, a fim de definir as pernas do homem e dar a impressão de que ele é mais alto. Pullovers e camisas são elegantes, por vezes sóbrio, por vezes decoradas com couro ou de peles com martas. Coats são muito simples e clássico, joelho de comprimento e feito de lã quente.
Tendências
Estão centradas em torno de todos os tons sóbrios, como cinza, céu azul, preto, branco, marrom, camelo, contrastando com tonalidades mais vivas como o roxo ,vinho vermelho, azul elétrico, vermelho brilhante (quase todos os criadores mostraram pelo menos uma camisa vermelha e um par de calças vermelhas em suas coleções) e verde.
Verde já pode (em minha opinião) ser considerada uma das mais sensacionais novas cores deste outono-inverno masculino.
Algumas coleções, no entanto, foram caracterizadas por algumas mais extravagantes idéias, que certamente têm sublinhado a importância e a natureza originária atribuída ao novo homem do ano 2010. Ele é um dinâmico elemento essencial da sociedade moderna: tudo deve girar em torno dele e garantir-lhe um conforto absoluto e uma aparência elegante.
Então, casacos já não são limitados a uma simples pele natural, mas alguns estilistas vestem os seus modelos em casacos de crocodilo, grande prestígio e um luxo para cima homem que usa-los com facilidade e orgulho. Eles estão perfeitamente enquadrado no estilo crocodilo: sapatos e botas, com uma linha clássica e falando da tradição italiana e artesanato.
Mas o homem de 2010 não só tem de ser moderno, elegante e prestigiado soberbamente, ele também precisa ser prático e certamente ele pode ser.
Assim, o novo homem proposto pelo Milan Moda Uomo, vai sair no inverno equipados com uma grande vontade de manter todas as suas coisas em absoluta facilidade e praticidade. Bolsos já não são suficientes para conter chaves, celular, e carteiras, enquanto um confortável saco adicionado a um homem de aparência lhe permitirá estar à vontade em qualquer lugar e a qualquer momento. Os sacos são feitos de tecido ou de couro genuíno, com zíperes e bolsos externos para manter tudo o que um homem moderno precisa quando ele não está em casa.
Eles estão detidos pela pegas ou se não forem muito volumosas, essas sacolas são usadas no ombro, como o clássico ombro malas. Alguns designers propõem ombro malas com ouro, na mesma cor e de couro como as calças (por isso, se o saco é ouro, as calças também serão ouro!).
Esta é a nova imagem do homem, como ele é visto pelos designers apresentando, na Semana de Moda Masculina de Milão!
Resgatando a própria história
Não tem jeito, os efeitos da crise atingiram os homens de Milão. Se antes as vendas já não estavam indo muito bem, vimos agora os estilistas num verdadeiro desespero e o foco totalmente comercial. As marcas mais do que nunca precisam vender, e de fato não é hora de ousar com experimentações fashion. Melhor ficar com aquilo que é garantido. Por isso o mar de básicos, cores neutras, alfaiataria e esse clima super sóbrio.
Uma coisa que me chamou a atenção aqui em Milão foi um certo senso de segurança trazido pelas roupas. Já que o mundo está tão inseguro, parece que há uma necessidade das roupas expressarem um pouco essa vontade de segurança. Isso pode vir de duas formas, tanto num look mais confortável, que pode ser a segurança do estar bem consigo mesmo, ou no conforto de um ambiente seguro, ou em formas mais rígidas, num look sóbrio e ar mais firme quase agressivo como muito se viu aqui em Milão.
Uma saída que muitas grifes da semana de Milão encontrou foi voltar a seu próprio universo. Trazer de volta ícones ou temas que facilmente se associam à marca. Foi o caso da Burberry que depois de muitas coleções voltou a dar lugar de destaque a seu famoso xadrez e trench-coats mais tradicionais.
Marcas como Les Hommes, Giorgio Armani e Salvatore Ferragamo estão na programação do evento.
Nós da equipe StyleKF, não poderíamos ter ficado de fora e voamos imediatamente para lá. Conseguimos o que todos os veículos de comunicação mais desejam: cobrir os desfiles e também os backstages.
Para vocês terem idéia, nós fotografamos todo o desfile e o backstage de nada mais,nada menos que a rainha do punk, a eterna Vivienne Westwood. Tudo de bom!
Vivienne Westwood - Não é de hoje que Vivienne choca, ousa, inova... Não sendo diferente, a “vovó” fashion de cabelos vermelhos mostrou aqui em Milão uma coleção pouco convencional para os homens. A eternal rainha do punk levou as coisas realmente ao extreme nesta temporada. A inglesa, como é de costume chocou mais uma vez trazendo a mistura de elementos tradicionais do design inglês com outros, fora do padrão comum. Para essa coleção, a inspiração de Vivienne foi Andy, seu jardineiro fiel. (Veja as fotos do backstage e entenderá tudo sobre o jardineiro).
Por isso, na apresentação de Vivienne, apareceram séries amplas de florais coloridos e padronagens xadrez. Além disso, um jeans largo com cara de traje utilitário, malhas volumosas, jaquetas de tweed e tartan para os homens poderem capinar seu caminho no meio da vegetação urbana. Resumindo, o desfile foi ousado para a moda masculina, mas típica de Vivienne Westwood. Ia me esquecendo de falar da cueca verde com vários buracos e do jeans modelo avental, que o modelo desfilou apenas com ele. Vejam as fotos do backstage.
Bottega Veneta - Tomas Maier concentrou-se mais naquilo que vem fazendo há anos: luxo discreto. Agora ficando mesmo discreto, com extrema atenção aos detalhes numa coleção extremamente limpa e quase sem nenhum acessório para tirar atenção das roupas.
Prada – Também optando pelo caminho comercial, entrando um pouco na onda das outras grifes – o que é bem raro para a marca. Depois de duas coleções investindo naquela imagem de um homem mais delicado e frágil, para o inverno 2009 Miuccia Prada se mostrou 100% masculina, com delicadezas restrita a pequenos detalhes (poucos looks).
O foco é na alfaiataria, lembrando muito seu trabalho dos anos 90. Sobriedade e tons escuros por toda parte, Dona Prada aposta nos casacões com comprimento até o meio da perna, em tecidos mais pesados, sobrepostos a paletós com abotoamento duplo, lapela mais pontuda, com um bom perfume nostálgico, assim como em muitas outras coleções.
A pesquisa têxtil continua, mas bem mais discreta, com alguns looks em couro ou então em tecidos mais sintéticos, principalmente em algumas blusas onde aparece um maior despojamento. Esse vem também em recortes desses mesmo tecidos em algumas calças, ou então nas aplicações de pele em alguns dos casacos. Sobrepor as peças bem austeras de alfaiataria com camisas listradas de preto e laranja bem forte, foi outra boa saída. Ainda assim, apesar da boa coleção, cheia de detalhes interessantes, faltou aquele boom de novidade que estamos acostumados a ver na Prada.
Alexander McQueen - Uma das melhores coleções apresentada aqui em Milão, foi de McQueen que aproveitou essa onda de sobriedade que tomou conta desta temporada. Alexander se foca naquilo que faz melhor - a alfaiataria -, e mostrou que está em plena forma. O estilista, que adora boas referências históricas, trabalhou dessa vez com elementos do século XIX, mas sempre de forma extremamente contemporânea. Dá para ler perfeitamente todas essas referências ao guarda-roupa do homem daquela época, mas com um frescor de atualidade incomparável.
McQueen - entrou de cabeça na modelagem dos paletós e jaquetas mais ajustados ao corpo. As calças também vieram mais secas, mas ainda com certa folga, sem ser skinny e com barra um pouco mais curta – também vimos isso nos desfiles masculinos do SPFW. Outro ponto interessante foi quando o estilista começou a desconstruir e reconstruiu peças de alfaiataria meio 2 em 1, como no terno com colete embutido. Ou então quando mixa elementos mais agressivos na alfaiataria, como é o caso dos aventais meio de açougueiro em versões de couro e metalizadas.
Jil Sander - Quem melhor representou a “segurança das roupas” foi Sander com suas formas extremamente rígidas. Lá Raf Simons acintura seus casacos, que ganhou formas mais estruturadas na cintura, bem presa e marcada, fazendo um contraponto aos ombros mais suaves e redondos – ainda que estruturados – e as barras dos casacos que também ficam quase que volumosas como uma saia.
A imagem é boa, ainda que nova, mas traz um certo frescor para um temporada quase sem idéias novas ou interessantes. Faz perfeito sentindo com os nossos tempos. Mas para a vida real mesmo, a roupa parece rígida de mais para o homem, que apesar de toda a insegurança que o mundo passa agora, não vai querer se ver preso a um blazer ou casaco que se ajusta de forma bem marcante a sua cintura.
Mas aí eu fico pensando. Em tempos de crise, você prefere gastar seu dinheiro com uma peça básica, em tons escuros que serve para várias coisas – algo que você provavelmente já deve ter -, ou então com algo diferente, mais alegre, que não fica tão preso às tendências?
Gucci - A imagem pode até não ser nova. Frida Giannini precisa começar a pensar rapidinho num jeito de fazer moda para Gucci sem passar pelo rock que tanto gosta. Mas é que foi tão bom ver um pouco de cor, um pouco de frivolidade e até mesmo um pouco dessa atitude rocker, nessa temporada marcada pela sobriedade, que até dá para perdoar as cansativas referências musicais dos anos 80.
A silhueta veio bem mais justa, com ternos bem sequinhos, com destaque para os de poá sobre camisas de cores vivas. Os paletós ficam bem curtos, acabando bem na linha do quadril, com corte seco e bem retinho. As calças também são justas, as vezes skinny, as vezes apenas mais secas. Brilhos e matérias sintéticos como náilon também aparcem, e tem até um momentinho meio lurex no final, que chega até a animar frente a seriedade e monotnia dessa temporada.
De qualquer modo, temos que dar crédito a Frida por ter tido coragem de manter-se fiel ao que acredita, e ao que tudo indica, fez bastante sucesso entre compradores já cansados de tantos básicos e cores neutras. Quem acredita sempre alcança!
D&G – A dupla D&G soltaram a franga, bem, quero dizer a imaginação e deixaram a criatividade correr solta, produzindo uma bela e gostosa coleção para o inverno 2009 totalmente barroca, misturando modernidade e ecos wildianos, rock and (sugestões literárias). Um estilo ousado, com suntuosos bordados, jeans batidos, veludos preciosos e desenhos florais intensos.
Ferragamo - O homem Ferragamo agradou pelo seu luxo. Pelas suas linhas extremamente refinadas. Pelos acessórios que nunca faltam e que dão um toque especial. Calças fluídas ou estreitas, blusas imponentes ou soltas, o estilo Ferragamo se demonstra mais uma vez insuperável. Uma garantia para quem faz do estilo chique uma razão de viver.
Roberto Cavalli - A coleção de Roberto Cavalli apresentou um gosto naif. Estilos e estampas que se sobrepõem e criam um jogo que não agrada todos os gostos. Modelos que saíram das mãos de um pintor que precisa sempre de mais telas para expressar sua fantasia. Variações novas. Cores novas. Tecidos que podem ser interpretados de várias formas, que ousam. A moda também é propulsão, mutação e re-invenção do passado. Um código sempre valorizado por Roberto Cavalli. Parece que o estilista resolveu prestar uma homenagem a Ralph Lauren nessa sua coleção. As estampas Navajo, uma marca de Ralph, apareceram em quase toda a coleção, de casacos às calças. Mas essas referências se misturam com o já habitual universo de Cavalli: as camisas brilhosas e os veludos que mais parecem efeitos de crocodilo. Este é o décimo aniversário da coleção masculina de Cavalli e o estilista tratou de revisitar suas raízes, o que significa menos da alfaiataria do que ele tem feito e mais apostas no luxo over que marca a trajetória do estilista.
Prada - O desfile da marca pode ser resumido em um surpreendente estudo da sobriedade. O preto dominou toda a coleção (seria uma sugestão a um inverno total black?) com pitadas de cinza, numa aposta pela silhueta super esguia. Só que por cima desse shape estreito, Miucca Prada resolveu jogar casacos oversize, de grandes proporções.
Em uma determinada parte do desfile, a estilista optou por uma série de casacos abotoados e sapatos de silhueta bem conservadora, talvez uma aposta de Miucca depois de algumas coleções de homens mais frágeis e de aspecto mais modernoso.
Bottega Veneta - Tomas Maier apresentou uma coleção mais suave. Os tricôs fundação da coleção, desde as peças mais óbvias (suéteres, por exemplo) às mais contemporâneas, como a gravata de cashmere. Os tecidos foram lavados para dar um aspecto de usado e a cartela de cores priorizou o chocolate e o cinza. Se até então, Maier havia optado pelos volumes, em proporções que evocavam um certo glamour da velha Hollywood, agora a aposta é na silhueta mais seca.
Dolce & Gabbana - Quando falo em moda masculina, o primeiro nome que vem à mente e com certeza a Dolce & Gabbana. A coleção apresentada aqui em Mião teve como inspiração a Sicília, principal Ilha do Mar Mediterrâneo. Uma área rústica, com muitos agricultores, de infinita beleza e de aromas e sabores sem igual.
Os casacos longos e grossos feitos para dias de frio extremo foram adaptados com muita lã e pele de carneiro.
Os tecidos e materiais que mais se destacaram foram o veludo, lã, couro, pele de cordeiro e a caxemira.
Coletes e ternos ousados de veludo deixaram o desfile mais elegante e deram um brilho diferenciado.
Um fato interessante foi às camisas onde as golas apresentaram modelagens menores, diferentes das já existentes no mercado e combinavam com as gravatas extremamente finas que é uma das novas tendências para o inverno 2009.
Blusas de tricô feitas à mão de lã entrelaçadas e estampas divertidas foram um dos pontos altos do desfile. Calças estão mais flexíveis e volumosas, muitas feitas de veludo cotelê e outras com detalhes e recortes em couro.
Os acessórios como as bolsas foram inspiradas nas famosas malas grandes e desconfortáveis. No pescoço lenços e cachecóis grossos conciliaram-se com o resto do look.
Emporio Armani – Uma profusão de verdes invadiu a passarela da EA. Eles vieram em calças de cintura mais alta usadas com jaquetas de couro, enormes casacos de veludo que literalmente “envelopavam” vários looks, colarinhos de pele e parkas. Na verade, parece que o estilista resolveu resgatar seus clássicos, quase como num estudo da história da marca. E nesse clima de resgate, o que se viu na passarela foram jacketas desestruturadas e calças menos secas. Destaque para o look mais para o fim do desfile, uma espécie de “ski wear”, talvez o mais moderno da coleção, apesar das sugestões vintages que fazem parte do universo do estilista.
DSquared - Inspirada no musical Ziegfeld Follies , os gêmeos Dean e Dan responsáveis marca misturaram formalwear retrô e denim de forma genial e super interessante. Atualizou um conceito com trajes utilitários como calças cargo e caps listrados.
Mas a nova e ousada silhueta para as calças, sem dúvida foram as largas e de gancho baixo. Coletes de caça feitos de couro e jaquetas de carneiro, traços de xadrez e, finalmente, o formalwear decadente, incluindo um belo casaco de astracã foram os destaques da coleção. Tudo vale: a mistura de alto e baixo, dia e noite, novo e velho pode ser maravilhosamente sofisticada.
Burberry Prorsum - Inspirado na obra do fotógrafo Bill Brandt, que se tornou célebre por retratar a austeridade do campo inglês no período logo após a Segunda Guerra Mundial, o estilista Christopher Bailey seguiu um caminho diferente do melancólico desfile da temporada passada. E nessa nova direção, optou por uma coleção que põe na passarela um homem elegante, sem desejos fashionistas, inspirado nas formas e peças do pós-guerra. Os destaques vão para as camisas de algodão com mangas levemente amplas acompanhadas de gravatas ou pequenos laços, paletós de veludo de efeito lavado e alfaiataria risca-de-giz (com paletós mais estreitos e calças de shape levemente cenoura) e sobretudos (alguns de couro).
Confira os principais desfiles da Semana de Moda Masculina de Milão, e também confira os backstages dos desfiles da Semana de Moda Masculina de Milão.
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