
Por: Karlos Ferrera
Mesmo sem grandes produções e de olho na crise, as marcas não deixaram de trazer o glamour e novas idéias para um ano difícil. Em Paris, pudemos conferir em primeira mão todos os desfiles, bastidores, o make-up do momento e os tecidos que, muitas vezes, fizeram papel da idéia, e refrescaram todas as cabeças dos presentes nas salas de desfile. Acompanhe abaixo, o que cada marca trouxe como novidade para a estação mais glamourosa do planeta.
Os desfiles de “Haute Couture” da Maison Christian Dior são sempre mega shows, a extravagância mostrada por John Galliano é um luxo. A maquiagem é um espetáculo a parte.
Apesar da crise e apesar de tudo, não se pode perder o sonho. Isto diz John Galliano, que não se esqueçe de vestir os volumes "exagerada" e ao luxo de Haute Couture com vestidos tulipa e saias parafuso apertado. Apesar da recessão, da crise econômica, John Galliano, não buscou estes temas como fonte de inspiração. Em vez disso ele investiu sobre o que ele faz de melhor, criar vestidos requintados. Saias rodadas, crinolines e bordado floral em seda e organza delicado e cores quentes, como o rosa e o amarelo pautaram sua coleção. Um intervalo de marfim antes da grande final, com grandes chapéus e pluma de vapor, além de um volume extra nas mangas e saias.
Abusou dos adornos nos vestidos,viajando por uma paleta de cores que passa pelo azul, branco, preto e branco, amarelos ciano, vermelhas, azuis e laranjas . Os looks deixaram a cintura finissima. O local ? Museu Rodin. Trilha sonora ? Carla Bruni (primeira-dama). Um desfile magnífico, bem ao estilo Galliano. Na França, tudo remete à moda: Museu, arte, primeira-dama… É dessa Semana de Moda de alta-costura, que sairão os vestidos que as celebridades irão usar na noite do Oscar.
ARMANI PRIVÉ
Ele é um dos mais mundanos personalidades da moda e tem encontrado longa inspiração em motivos orientais, muitas vezes apenas para efeito espetacular.
A partir de Xangai a Armani Prive desfilou vestidos de luxo para serem usados ou desfilados num belo tapete vermelho. Tailleur com ombros geométricos e com pontos em relevo, casaco curto, laterais e as saia é estritamente longuette abaixo da panturrilha. Tons de cinza , azul e amarelo pontuaram a coleção, também realçada com lantejoulas, bordados preciosos e tecidos com motivos florais da China, como se para lembrar as estátuas de porcelana orientais. Lindo vestido vermelho brilhante China, em contraste com o preto. O que mais chamou a atenção foi os ombros das peças.
Giorgio Armani, chiquérrimo e autêntico, não deixou de lado, a sua habilidade hostil para a alfaiataria e o luxo. Mulheres um pouco francesas, meio orientais, exibiram seus looks bem montados e rebocados de bordados e rendas. Calças com fendas ultrasexy, shantungs e ombreiras decidiram a coleção da marca. A combinação preto + cinza + flores do oriente, foi algo inovador.
CHANEL
Quando a maioria das pessoas tem uma boa idéia, se colocar no papel. Karl Lagerfeld mostrou idéias para fora do papel.
Pelo menos é o que ele fez para a sua coleção primavera haute couture, um show brilhante em mais de um. "A idéia era uma página branca", disse Lagerfeld dias antes de seu desfile. Mas existem páginas brancas e brancas páginas. Karl Lagerfeld desfilou uma Chanel quase 100% branca com o minimalismo visual necessário para enfrentar uma crise, sem de fato ser tão simples assim. Flores brancas de papel ( camélias ou não) nos arranjos de cabelo das modelos e em toda decoração do pavilhão da rue Cambon. Um prédio do outro lado da rua, onde Gabrielle construiu seu império justamente em períodos em que as coisas não caminhavam nada bem no mundo.
Usando um terno preto de corte perfeito, óculos de sol e as luvas de couro com cravos que são sua marca registrada, Karl Lagerfeld disse que buscou inspiração de uma página em branco e vestiu suas modelos em saias até os joelhos, boleros e vestidos de alfaiataria com cintos pretos brilhantes, brincando em cima do clássico terninho de lã de Coco Chanel. Os coletes são micro, interposto em saias rodadas acima do joelho ou leggings ou calças skinny. Para a noite, organza com rendas e aplicações florais. A coroa das modelos foram adornadas por flores Camélia de papel pelo designer japonês Kamo.
Karl Lagerfeld realmente gosta de brincar com a sua musa inspiradora- Coco Chanel-, e propôs em sua alfaiataria uma inspiração voltada para o romantismo e as porcelanas tão presentes na vida da clássica estilista da maison percorreram terninhos e saias tulipas. Tudo com excelentes acabamentos. Ombros estruturados, roupas com camadas excêntricas e no auge do desfile, as flores nas cabeças das modelos deram nota 10 ao mestre da moda.
CHRISTIAN LACROIX
Um pouco do México, Ásia e Espanha fez um quê étnico na coleção do Lacroix. Teve de tudo: alfaiataria, pantalonas chiquérrimas, meias de renda, saias de tule, printings e vestidos de um ombro só. Mulheres independentes e sensuais marcam a coleção do grande estilista da moda parisiense.
GIVENCHY
Os looks de Ricardo Tisci trouxe maquiagens sem gosto e roupas fortes misturadas com tecidos fluidos, expressando uma delicadeza única. Os ombros marcados, vestidos muitas vezes com pregas sensuais, blusas casulos, plumas e rendas fizeram suas partes. As brasileiras Ana Claudia Michels e Daiane Conterato estavam presentes no casting da marca.
CHRISTIAN DIOR
Baixou a Mary Poppins nos vestidos, saiotes e chapéus de John Galliano. O grande estilista, que está na marca desde 1984, só tem feito um bem à Dior. Alguns pintores flamengos, daqueles bem simples e chiques, a M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A saia godê, que lembra o new look. Tudo muito luxuoso! Galliano em tempos de crise ousou e arrasou!
ELIE SAAB
As roupas de festa, que sempre são o carro-chefe da marca, nesta semana de moda, apareceram com transparências e babados. Tops, vestidos e calças vieram todos presos com cinto obi. Ombros estruturados com almofadinhas delicadas, fizeram o público lembrar os grandes tempos da moda. A combinação suave de off-white + bege predominou na coleção.
JEAN PAUL GAUTIER
Buum! O desfile começou, e o cheiro excêntrico dos anos 80 predominou no ar. O macramé e as rendas, os decotes profundos, ombros marcantes e a risca de giz, que fizeram sucesso décadas atrás, voltam com tudo. Um pouco Couture, sua coleção mostra uma mulher cheia de personalidade e surreal.
VALENTINO
Depois da reviravolta, a coleção, que foi assinada pela equipe de criação da marca, parece ter feeling para tempos de pouco dinheiro no bolso. Babados, rendas, a cintura marcada e os bordados com penas, deram satisfação até ao mestre Valentino que assistia tudo na primeira fila do desfile. O trio roxo, goiaba e vermelho reinou na coleção.

