
.Conheça a história de Adolfo Domínguez e Agatha Ruiz de La Prada, dois dos designers de moda mais conceituados da Espanha.
Além de ter sido a primeira marca espanhola a usar o nome do seu proprietário, para abertura de loja, e ainda a primeira cadeia de moda no país a investir na Bolsa, a Adolfo Dominguez acredita que a moda é, acima de tudo, uma indústria, que tem hoje a Internet como principal aliada. 
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Fernando Gutierrez
“Que se dediquem a vender. Esse é o melhor conselho que posso dar aos designers que estão a começar. Se o que pretendem é ser artistas o melhor é que se ponham a pintar, porque a moda é uma indústria e não uma arte. A moda encontra-se relacionada, obviamente com a arte de desenhar, mas também com produzir, comunicar e vender. É imprescindível que nos adaptemos ao que as pessoas precisam. Estás aqui para sonhar os sonhos dos outros”, afirma Adolfo Domínguez, um dos designers de moda mais conceituados de Espanha. E este criador sabe bem do que fala, porque Domínguez, que nasceu em 14 de Março de 1950, em Ourense, deixou a sua vocação para a escrita para se dedicar à gestão. Uma decisão certa, já que acabou por transformá-lo num dos maiores gestores têxteis espanhóis, com um império de 400 lojas espalhadas por 20 países da Europa, Ásia e América Latina e com vendas que superam os 200 milhões de euros anuais. Para além disso, Adolfo Domínguez criou uma importante linha de perfumes. Talvez por todas estas vitórias, este designer seja considerado o Giorgio Armani espanhol.
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Da mesma forma, Adolfo Domínguez foi o primeiro criador espanhol que usou o seu nome próprio para abrir uma loja aqui em Madrid – em 1981 –, para além de ter sido igualmente a primeira cadeia de moda espanhola a investir na Bolsa, em meados dos anos 80. Os preços das ações subiram principalmente em finais dos anos 80 e início dos anos 90. Mas a empresa não foi poupada pela conjuntura. Em 2007, as suas ações valiam 50 euros. Dois anos mais tarde, o seu valor passa nos 19 euros. “A situação econômica está muito complicada e temos de dar o nosso melhor, ao investir em peças mais baratas e mais competitivas. Os consumidores continuam procurando produtos novos e essa meta – de criar sempre mais e melhor – é o motor da indústria da moda”, salienta Domínguez.

Para agradar os consumidores, o criador foi um dos primeiros a adaptar o conceito de mudança de coleções constantes, abolindo assim o velho esquema de oferecer duas coleções por ano. “Nas nossas lojas entram constantemente peças novas, nomeadamente duas vezes por semana. Somos capazes de ter uma loja diferente em cada mês. Isso de termos apenas duas coleções já não faz sentido, porque não temos apenas uma estação de frio e outra de calor, mas também há épocas de festas, tempo em que precisamos de comprar prendas, e outra em que as consumidoras pedem roupa cômoda para as férias... É importante adaptarmo-nos ao que as clientes necessitam”, explica o criador.Para além de se adaptar às novas exigências das consumidoras – algo que fez, por exemplo, em fevereiro deste ano, quando lançou uma linha de vestidos de noiva a preços baixos –, Adolfo Domínguez preocupa-se também em fazer com que as mulheres sintam que recebem mais do que o que pagam. E o melhor caminho para alcançar isso é, segundo o próprio, “através da Internet”. O designer assegura ainda que “através da Internet pode-se baixar muito os preços, porque não se paga empregados, pontos de venda ou custos de distribuição. Desta forma, é mais fácil oferecermos preços competitivos, inclusive em comparação com os supermercados e grandes cadeias de moda como a Zara ou a H&M. O meu plano, em curto prazo, passa por começar a vender básicos – peças que as pessoas não precisam experimentar – através deste canal” conclui Dominguez.
Embaixadora da Moda espanhola
Usando sempre quatro símbolos: lua, coração, estrelas e flor, Agatha Ruiz de La Prada, considerada uma das principais embaixadoras da moda espanhola, acaba de lançar novos produtos e explorar novos mercados. A sua forma de refletir se em seu estilo muito pessoal, traduzido em coleções coloridas que reivindicam imaginação e originalidade misturadas com as mais recentes tendências de moda.

Desde o início da sua carreira, Ágatha Ruiz de la Prada esteve sempre envolvida em projetos originais, graças à sua competência em explorar novas linhas de produtos e novos mercados. Depois de assinar materiais de papelaria, roupa, acessórios e ainda tecidos para cama, mesa e banho, a criadora espanhola acaba de incorporar um novo objeto ao seu universo pessoal: as portas blindadas. “Sou uma artista independente, criativa e idealista, com um estilo muito próprio. Um aspecto essencial de toda a minha trajetória foi ter conseguido converter o meu estilo num negócio, que atualmente se tem vindo a expandir de tal forma, acabando por posicionar a minha marca como uma das mais comerciais do mercado nacional e internacional”, afirmou a criadora recentemente homenageada pelo Museu de Arte e da Indústria André Diligent de Roubaix, na França. Neste espaço, a sala de exposições – que vai até ao próximo dia 21 de Junho – será transformada num belo jardim, onde os vestidos e os croquis originais da estilista se convertem numa ilustrativa guia do seu processo criativo. “É uma honra e, acima de tudo, um reconhecimento do meu trabalho”, sublinhou Ágatha Ruiz de la Prada.
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Após trazer de Milão críticas positivas, onde apresentou sua coleção para o Verão 2009/2010, inspirada no surrealismo, Ágatha Ruiz de la Prada viajou com a mesma até Miami, onde participou na Semana de Moda. “Penso que o que cativa nas minhas coleções é a personalidade muito própria das indumentárias”, explicou a estilista que vem arrancando aplausos, não só com a sua coleção de prêt-à-porter, mas também com a sua linha de moda infantil, apresentada em Março, na Pitti Bimbo, e que acabou por ser apresentada igualmente dias mais tarde em Lausanne, na Suiça. Esta apresentação coincidiu com a estréia da ópera “O gato de Botas”, onde os looks também foram criados pela designer espanhola. A sua paixão pelo vestuário teatral não termina nunca, ela acaba de desenhar os uniformes do Athénée Theâtre Louis-Jouvet, de París. “Ninguém melhor que eu sabe as minhas limitações. No entanto, isso nunca me impediu para que lutasse para realizar os meus sonhos, que até agora têm sido concretizados na sua totalidade”, concluiu Agatha Ruiz de la Prada.
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Veja abaixo desfile completo de Agatha Ruiz de la Prada, durante a Semana de Moda de Milão Inverno 2010.


